terça-feira, 31 de julho de 2012

20 minutos e um banco do Rossio

Sentada num banco no Rossio, analiso tudo á minha volta. Quanta história terá este lugar que desde os grandes poetas aos populares a todos agrada, a todos chama. Faz-me pensar como tudo terá começado, como esta pequena e grande cidade nasceu e como se glorificou. Ai como eu gosto de Lisboa. Músicos, artistas, poetas, calceteiros, taxistas... tanto que Lisboa tem para oferecer. É Santo António. As marchas, as sardinhas, o belo do bailarico e o amor a Lisboa. Que cidade Encantadora.
Turistas? Esses também preenchem Lisboa, não entendem porquê, admiram a arte antiga, a simpatia das pessoas, a magia da cidade. Ao escrever sobre " esta Lisboa que eu amo" dou por mim com um sorriso estúpido na cara, quantas pessoas terão olhado para mim e observado-o... secalhar, nem uma. Lisboa por mais perfeita que me pareça, a perfeição é imperfeita.
Agora reparo numa velha, sim VELHA, idosa é o termo inventado pela sociedade para excluir os velhos da vida. Voltando á "minha' velha, sentou-se num banco, observou o mundo em que se encontra, pensando, talvez nos filhos, na sua juventude, ou até uma coisa tão simples como aquilo que irá fazer para o almoço. Pobre senhora, perdida num país e numa cidade que não é feita para velhos! O que pensará ela de tudo isto que vê?!
Ás vezes gostava de ser o pensamento... o pensamento de Lisboa! 'Lisboa velha cidade" o que pensarás tu deste desencontro com os teus poetas e com o afastamento do teu Tejo?
Á minha frente tenho o teatro. Ai "Dona Maria II", quantos grandes artistas pisaram o teu palco, e tu entregaste a tua vida, como eles entregaram a deles. Quantas lágrimas derramadas, quantos aplausos por uma entrega total à Arte! Outro encanto de Lisboa. A Arte. Os alfacinhas são tão artistas que nem eles se apercebem da música, da pintura, de toda a ARTE que fazem. Fernando Pessoa afirmou " o poeta é um fingidor". Eu - se tenho o direito de afirmar algo - considero as pessoas de Lisboa tão fingidoras como o poeta, pois também eles são poetas... sem métricas, sem dor, sem sentimentos a expor. Os seus versos são olhares. Olhares puros, entregues á cidade.
Será se eu implorar as pedras desta calçada falam comigo? Quem melhor que elas para me contarem um segredo de Lisboa? Os pensamentos são segredos também. Se queremos que fiquem no desconhecido é só fingirmos que nunca o tivemos. Simples e verídico!                                                                           JoanaMachado, junho de 2012

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