sábado, 24 de maio de 2014

Avaliação de Professores

A poucos meses de abraçar a vida académica encontro-me a refletir sobre o ensino que tive e os profissionais com quem trabalhei.  A minha experiencia nem sempre foi boa, daí concordar com a existência de uma avaliação criteriosa que avalie os professores e os distinga.
Ao escrever sobre este assunto, deparo-me com uma questão: o que define um bom professor? Para mim, um bom professor é justo e trata os alunos de igual de forma, sem mostrar preferências, sabe despertar o interesse pelas matérias e, para além disto, é exigente com os mesmos. A relação professor-aluno deve ser baseada em mútuo respeito e compreensão. No fundo, um bom professor deve saber preparar os jovens para entrar no mundo de trabalho. E não, não é uma definição idealista. Existem bons e maus profissionais em todas as áreas, mas o professor tem uma acrescida responsabilidade – ajudar a preparar o futuro. Nós, alunos, somos os futuros profissionais do país e, por isso, é importante que tenhamos bons professores.
Ao longo destes anos, creio ter encontrado três tipos de maus professores: os que não tem vocação, os que não estão preparados cientificamente e os que, simplesmente, não querem saber. Vejamos, nem todos podemos ser cantores ou bailarinos, pois para tal é necessário talento e vocação. Um professor deve ter a capacidade de saber transmitir os conhecimentos. Por isso, deverão continuar sempre a atualizar-se. Actualmente ter um curso não significa ter toda a sabedoria ou ciência. Para além disso, existem docentes que vêem o ensino apenas como uma forma extra de ganhar dinheiro e não manifestam qualquer interesse em preparar os jovens. 
A falta de consideração por esta profissão deve-se, em parte,  aos pseudo-professores que leccionam nas instituições nacionais. Vejo bons professores prejudicados por profissionais que deveriam seguir outras direções.
Deste modo, pergunto-me: qual será a melhor maneira de avaliar um professor? Actualmente, o professor é avaliado através de um relatório de auto-avaliação. A minha primeira dúvida é a seguinte: até que ponto serão estes relatórios fiáveis. Espera-se que todos os avaliados refiram, de forma sincera, o trabalho desenvolvido ao longo do ano, mas será que todos são honestos nestes relatórios? E existirá imparcialidade e justiça por parte do professor avaliador?
Com o ministério de Maria de Lourdes Rodrigues ponderou-se a avaliação aos professores através de observação de aulas. Mais uma vez, verifica-se a dificuldade em avançar com uma avaliação digna aos profissionais. O professor dá aulas quase todos os dias mas, numa situação destas, o seu trabalho é avaliado em 45 minutos. É justo? Não. Uma aula não prova a qualidade do professor. Também não devemos esquecer que o professor prepara as aulas com antecedência, podendo, na aula em que vai ser avaliado, modificar o seu comportamento, de forma a melhorar a  apreciação do professor avaliador. Para além disto, a relação que o professor tem com uma turma modifica assim que outro profissional entra na sala. Uma turma tanto pode favorecer um professor como o prejudicar.
Para alguns profissionais, a avaliação deveria ser feita por professores universitários. Sendo aluna do ensino secundário, é-me difícil saber se é a melhor forma, mas posso concluir que foram estes professores que licenciaram os profissionais que se encontram nas escolas secundárias e básicas, por isso, se existem professores com os conhecimentos mal testados, foi porque alguém os avaliou mal quando ainda eram estudantes.
Desnecessário será dizer que a avaliação aos professores nunca deverá ser feita pelos alunos. O professor não deve ficar refém dos alunos que avalia porque, na verdade, o professor representa uma instituição e é por isso superior ao aluno. Para além disto, uma avaliação feita pelos estudantes dificilmente será justa e objectiva pois o aluno pode não ter maturidade suficiente para avaliar.
É de salientar também que a culpa do estado do ensino não é só dos professores, maus ou bons, é também dos alunos e, sociedade em geral, que não respeitam a instituição na qual se inserem. É altura de todos compreendermos a importância do ensino e de respeitar professores e pessoal não-docente. O mau comportamento e o desrespeito pelos professores prejudica todos os alunos numa sala de aula mas também o profissional que ali se encontra quase impossibilitado de desemprenhar as suas funções. Para além disto, os alunos que hoje desrespeitam a instituição em que estudam mais tarde não saberão comportar-se no local de trabalho, o que deixa muito a desejar do futuro nacional. 
Em suma, é necessário a procura por uma prova justa que avalie os profissionais e que distinga aqueles que realmente sabem a importância da sua profissão e que se encontram preparados para exerce-la. Não devemos esquecer que a educação fez e faz as sociedades evoluir e foram os bons professores que ajudaram a transforma-la.


Este texto de opinião foi publicado na secção Damianus, do Jornal Nova Verdade, Alenquer -2014 

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