A poucos meses de abraçar a vida
académica encontro-me a refletir sobre o ensino que tive e os profissionais com
quem trabalhei. A minha experiencia nem
sempre foi boa, daí concordar com a existência de uma avaliação criteriosa que
avalie os professores e os distinga.
Ao escrever sobre este assunto,
deparo-me com uma questão: o que define um bom professor? Para mim, um bom
professor é justo e trata os alunos de igual de forma, sem mostrar preferências,
sabe despertar o interesse pelas matérias e, para além disto, é exigente com os
mesmos. A relação professor-aluno deve ser baseada em mútuo respeito e
compreensão. No fundo, um bom professor deve saber preparar os jovens para
entrar no mundo de trabalho. E não, não é uma definição idealista. Existem bons
e maus profissionais em todas as áreas, mas o professor tem uma acrescida
responsabilidade – ajudar a preparar o futuro. Nós, alunos, somos os futuros
profissionais do país e, por isso, é importante que tenhamos bons professores.
Ao longo destes anos, creio ter
encontrado três tipos de maus professores: os que não tem vocação, os que não
estão preparados cientificamente e os que, simplesmente, não querem saber.
Vejamos, nem todos podemos ser cantores ou bailarinos, pois para tal é
necessário talento e vocação. Um professor deve ter a capacidade de saber
transmitir os conhecimentos. Por isso, deverão continuar sempre a atualizar-se.
Actualmente ter um curso não significa ter toda a sabedoria ou ciência. Para
além disso, existem docentes que vêem o ensino apenas como uma forma extra de
ganhar dinheiro e não manifestam qualquer interesse em preparar os jovens.
A falta de consideração por esta
profissão deve-se, em parte, aos pseudo-professores
que leccionam nas instituições nacionais. Vejo bons professores prejudicados
por profissionais que deveriam seguir outras direções.
Deste modo, pergunto-me: qual
será a melhor maneira de avaliar um professor? Actualmente, o professor é
avaliado através de um relatório de auto-avaliação. A minha primeira dúvida é a
seguinte: até que ponto serão estes relatórios fiáveis. Espera-se que todos os avaliados
refiram, de forma sincera, o trabalho desenvolvido ao longo do ano, mas será
que todos são honestos nestes relatórios? E existirá imparcialidade e justiça
por parte do professor avaliador?
Com o ministério de Maria de
Lourdes Rodrigues ponderou-se a avaliação aos professores através de observação
de aulas. Mais uma vez, verifica-se a dificuldade em avançar com uma avaliação
digna aos profissionais. O professor dá aulas quase todos os dias mas, numa
situação destas, o seu trabalho é avaliado em 45 minutos. É justo? Não. Uma
aula não prova a qualidade do professor. Também não devemos esquecer que o
professor prepara as aulas com antecedência, podendo, na aula em que vai ser
avaliado, modificar o seu comportamento, de forma a melhorar a apreciação do professor avaliador. Para além
disto, a relação que o professor tem com uma turma modifica assim que outro
profissional entra na sala. Uma turma tanto pode favorecer um professor como o
prejudicar.
Para alguns profissionais, a
avaliação deveria ser feita por professores universitários. Sendo aluna do
ensino secundário, é-me difícil saber se é a melhor forma, mas posso concluir
que foram estes professores que licenciaram os profissionais que se encontram
nas escolas secundárias e básicas, por isso, se existem professores com os
conhecimentos mal testados, foi porque alguém os avaliou mal quando ainda eram
estudantes.
Desnecessário será dizer que a
avaliação aos professores nunca deverá ser feita pelos alunos. O professor não
deve ficar refém dos alunos que avalia porque, na verdade, o professor
representa uma instituição e é por isso superior ao aluno. Para além disto, uma
avaliação feita pelos estudantes dificilmente será justa e objectiva pois o
aluno pode não ter maturidade suficiente para avaliar.
É de salientar também que a culpa
do estado do ensino não é só dos professores, maus ou bons, é também dos alunos
e, sociedade em geral, que não respeitam a instituição na qual se inserem. É
altura de todos compreendermos a importância do ensino e de respeitar
professores e pessoal não-docente. O mau comportamento e o desrespeito pelos
professores prejudica todos os alunos numa sala de aula mas também o
profissional que ali se encontra quase impossibilitado de desemprenhar as suas
funções. Para além disto, os alunos que hoje desrespeitam a instituição em que
estudam mais tarde não saberão comportar-se no local de trabalho, o que deixa
muito a desejar do futuro nacional.
Em suma, é necessário a procura
por uma prova justa que avalie os profissionais e que distinga aqueles que
realmente sabem a importância da sua profissão e que se encontram preparados
para exerce-la. Não devemos esquecer que a educação fez e faz as sociedades
evoluir e foram os bons professores que ajudaram a transforma-la.
Este texto de opinião foi publicado na secção Damianus, do Jornal Nova Verdade, Alenquer -2014
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